quinta-feira, 2 de julho de 2020

O precipício do caboclo


Veja só como o caboclo
Arranja seu precipício,
Vindo morar num cortiço
De uma violenta cidade,
Foi o que aconteceu comigo,
Pois entrei neste castigo,
Por causa da vaidade.

Eu morava lá na roça,
Debaixo de uma palhoça,
Toda cercada de flor.
À noite a minha cabocla
Beijava a minha boca
E eu transbordava de amor.

A lua e o verde da mata
Atravessavam a parede,
Enfeitavam a nossa rede
Com pedacinhos de prata,
E era assim que no ranchinho,
Nós dormia com os filhinhos 
Naquelas noites pacatas.

Nós era pobre, é verdade,
Mas aquela tranquilidade
Era o meu contentamento,
Nós retirava da roça
A farinha de mandioca,
O tucupi e a tapioca,
O feijão e o arroz pro sustento.

Eu tinha meu bom cavalo,
Cinco galinhas e um galo,
E no pasto uma vaquinha,
Tinha doze ovelhinhas
Que dava gosto de ver.
Um belo dia a cabocla
Com seu jeito de maluca
Começou a me convencer.

Meu bem, essa é a verdade,
Vamos embora pra cidade,
Melhorar o nosso viver.
Nós vende a nossa palhoça,
Nossos bichinhos e a roça,
E outra vida vamos ter.

Foi aí que um fazendeiro,
Por muito pouco dinheiro,
Comprou a minha felicidade,
E eu parti para a cidade,
Onde vi que a realidade
Foi logo mudando o tom,
A minha cabocla dengosa
Começou a ficar vaidosa,
Pintou o beiço com batom.

A pobre desengonçada
Foi trabalhar de empregada
No motel de uma pensão,
E este caboclo acanhado
Teve o peito atravessado,
Pelo punhal da traição.
                        Autor Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia.






quarta-feira, 8 de abril de 2020


O Mundo Enlouquece

O Mundo Enlouquece!
E os gênios excepcionais,
Sob as luxúrias pregressas
Vão construindo arsenais
Com suas ideias perversas.

E as máquinas mortíferas,
A cada minuto que passa
Vão fazendo suas vítimas
No apogeu da desgraça.

Dando demonstração
Que a existência da vida
No planeta humanizado,
Já não merece atenção...

A violência cresce,
A natureza é devastada,
O amor desaparece
E a paz pelo ódio é arrasada.

Com um sentimento profundo
Deus vê a situação do mundo
E o terror das multidões.
E condena a humanidade

                   A pagar pelas suas ações...

                                   Autor Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia.
                                   08/04/2020

segunda-feira, 23 de março de 2020

Apoteose do Apogeu


Apoteose do Apogeu
Ah! Quantos sonhos humanos deviam florescer,
mas pela infâmia da fera eles vão perecer!

Vejam os espectros humanos,
perdendo em consciência para os irracionais,
cavando as entranhas da terra
buscando a origem dos seus ancestrais.

Eles vivem perdidos no tempo,
emprestando a memória do computador,
porque desconhecem a existência
e perderam a crença em seu criador.

É a geração dos roboanos,
ocupando os lugares dos seres humanos.
São máquinas mortas sem vida.

A vida da terra está sucumbida,
pois todas as virtudes do mundo, o mundo esqueceu.
E esta é a apoteose do seu apogeu.

Querendo recompor o mundo
e rever a história dos tempos atrás.
Bobagem, tô vendo e sabendo que tudo
que o homem desfez, o motor não refaz.

A ciência envenena a terra
investindo na guerra e matando o amor.
E nem mais um cacho de flor
para enfeitar a mortalha do destruidor
não sobrou.
Autor Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia

Máxima

O barco da ambição navega no mar da ansiedade e aporta no cais do desespero.
Autor Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia

A Cachoeira da Vida

 A Cachoeira da Vida

Na cachoeira da vida,
o rio povo vai rolando
por sobre as pedras dos sonhos
a corrente vai formando.
No remanso da ilusão se acalma
e fica esperando.

Como onda da esperança
se desabrocha na praia
e no mar da realidade
já estafado desmaia.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

O mal não se combate com o mal

O mal não se combate com o mal: ...Todo reino dividido contra si mesmo será assolado, e casa sobre casa cairá. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança estão os seus bens; mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava, e reparte os despojos. (Lucas 11. 17, 21 e 22).
Estamos vivendo num mundo em que a falta de amor ao próximo contamina a humanidade, matar se tornou tão banal, que já não causa remorso. Armar a população de um país diante das atuais circunstâncias é incentivar ainda mais o crime.
À integridade da vida,
As armas não dão suporte.
Quanto mais armas, mais tiros.
Quanto mais tiros, mais mortes.

Raimundo Amaral