sábado, 16 de fevereiro de 2019

O mal não se combate com o mal

O mal não se combate com o mal: ...Todo reino dividido contra si mesmo será assolado, e casa sobre casa cairá. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança estão os seus bens; mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava, e reparte os despojos. (Lucas 11. 17, 21 e 22).
Estamos vivendo num mundo em que a falta de amor ao próximo contamina a humanidade, matar se tornou tão banal, que já não causa remorso. Armar a população de um país diante das atuais circunstâncias é incentivar ainda mais o crime.
À integridade da vida,
As armas não dão suporte.
Quanto mais armas, mais tiros.
Quanto mais tiros, mais mortes.

Raimundo Amaral

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Recado dos índios


Recado dos índios
Presidente Bolsonaro, escutamos você falar durante a sua campanha, que nós índios, somos gente igual a vocês, mentira! Vocês são descendentes de uma raça invasora, que invadiu as nossas terras, estupraram e prostituíram nossas mulheres, desrespeitaram nossa civilização e nossa cultura, roubaram as nossas riquezas e nos caçaram como bichos ferozes. E como, se tudo isso não bastasse, ainda querem se apoderar do pouco que ainda resta. Jamais podemos ser iguais, se o Deus de vocês é o dinheiro e o lucro a qualquer custo. O nosso Deus! É o Deus Tupã, é o criador da nossa mãe natureza e de tudo que nela existe. E ela nos dá tudo que precisamos para viver. E se cortarmos as árvores, estamos assassinando a nossa mãe! E se acabarão as caças, peixes, frutos, sementes, água e até o ar que respiramos. Seria bom que soubesses, que sem a floresta será impossível a existência da vida na terra (Isaías 24. 5).
A Ação do Homem
Era um rio alimentando a vida. 
E o selvagem o reconhecia
e dava a ele a atenção devida
porque sem ele nada existia.
 
Era uma floresta guardando os segredos
que mantinham a vida equilibrada.
Havia vozes nos seus arvoredos.
Havia flores sempre perfumadas.
 
Era um oceano um tanto profundo
que tinha polos um tanto congelados.
E continha o sal que conservava o mundo.
E o ambiente sempre refrescado.
 
Era um céu que protegia a terra
e um firmamento todo iluminado
sem a fumaça e o furor da guerra.
E o homem fez do mundo o seu reinado.
 
Mas a ação do homem foi transformando o rio
e o oceano em um lixão imundo.
Fez da floresta um espaço vazio
e extinguiu a vida do seu mundo.
 
Resta o espírito num espaço cinzento
porque o seu reino foi desmoronado.
Não há mais vozes, nem flores e nem ventos.
A terra é um bloco empoeirado.
Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia.
 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Poesias


É natal e demagogicamente festejam o nascimento daquele que foi morto na cruz, porque veio para derrotar os orgulhosos com os seus planos, derrubar dos seus tronos os reis poderosos, colocar os humildes em altas posições, dar fartura aos que têm fome e mandar os ricos com as mãos vazias (Lucas 1.51-53). Mas, o mesmo povo que o aclamou com aplausos calorosos quando chegou perto de Jerusalém, na decida do Monte das Oliveiras (Lucas 19.37), também clamou diante de Pilatos: crucifica! Crucifica! (Marcos 15.13) E cruzou os braços esperando que Jesus fosse morto na cruz para usufruir das benesses (benefício ou ganho, normalmente recebido sem muito trabalho ou esforço) de um novo mundo, que Jesus seria obrigado a construir sem a participação do povo que o almeja. O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e jogada no fogo (Lucas 3.9). Porém, falta coragem! E os encorajados pela obediência dos ensinamentos cristãos, na maioria das vezes são assassinados, condenados ao isolamento nos presídios e alijados pela sociedade farisaica. Dentre eles: Tião da Paz, Chico Mendes, Irmã Dorothy, Nelson Mandela, Luiz Inácio Lula da Silva e tantos outros, que continuam sacrificando a própria vida em defesa dos oprimidos.
Como pode ser feliz um povo que lhe é posto nas costas o pesado fardo dos impostos para manter a opulência, a mordomia, luxúria, pompa e toda forma de privilégio dos doutores da lei? (Lucas 11.45) Como pode ser feliz um povo, que o fermento dos fariseus e de Herodes fez crescer a massa do desemprego, até chegar ao ponto do crime fortemente organizado (Marcos 8.15).
Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia.
Ao Despertar de Um Pesadelo

Foi na ânsia louca de um pesadelo
que eu acordei e vi a situação do mundo.
Onde eu vi abutres em um desespero
devorar cordeiro quase moribundo.

E vi num calabouço
a seta da vaidade,
mostrando a igualdade
no fundo do poço!

E vi no escuro
um povo alienado,
vivendo o passado
sem visar ao futuro.

E eu disse: ser erguida
minha gente morta,
que já nem se importa
de ser esquecida.

Deixa essa taça do amargo fel
e junto caminhemos à terra prometida,
úbere e florida
que tem leite e mel.

Removendo a vida, conquista o teu espaço.
E cantando rasga o véu da nostalgia,
pois é covardia
se entregar ao fracasso.

Nesse universo de sonho e de medo,
eu conto o segredo mesmo sabendo
que quem mostra os abutres, aos pobres cordeiros,
tem um pesadelo e acaba morrendo.

E num instante eu sinto a mente iluminada,
para seguir a estrada palmilhando verso,
mostrando os abutres, gente desalmada,
a devorar o povo cordeiro disperso.
Raimundo Amaral, o poeta da Amazônia.


                                  

sábado, 29 de julho de 2017

Na biblioteca


Culto da Natureza ao Homem


A natureza, sentindo-se arrasada,
Vem prestar seu culto ao homem
E roga a ele que ela seja preservada,
Pois já pressente o flagelo da fome.

E reza a árvore: - “Senhor homem!
Que tens de Deus a missão de continuar o mundo...
Livra-me do fogo pra que eu não seja transformada em labaréu,      
E todos possam respirar profundo
Sem a fumaça que negreja o céu”.

E reza o peixe: -“Senhor homem!
Dá-me somente mais uns dias de vida,
Até o período da procriação
Pra que meus filhos possam ter comida,
Sem precisar da minha proteção.
Depois pesca-me e fartai a vossa mesa,
Pois tenho a sina da alimentação”.

E reza o quelônio: - “Senhor homem!
Perdoa a minha lentidão.
Dá-me apenas uma noite livre
Pra que aconteça a nossa arribação.
Depois divida o que encontrar na areia
E deixe o resto crescer, livre e são
Pra que se repita sempre em vossa ceia
Este milagre do abençoado pão”.

E reza a caça: - “Senhor homem!
Perdoa a minha gravidez
Até que eu dê a luz aos meus filhotes
E dê a eles amamentação.
Depois mata-nos, mas com sensatez
Pra que as espécies tenham sua vez,
Sem o tal risco da extinção”.

E reza o pássaro com um timbre de saudade: -“Senhor homem!
Perdoa-me se já não entôo a felicidade,
Pois se o meu canto tem o som do pranto,
E porque me falta a pura liberdade”.

E reza a relva: -“Senhor homem!
Perdoa-me se a flor já é pálida e chorosa.
Talvez, quem sabe? Pela chuva ácida,
Já não consegue ser bela e cheirosa”.

E reza a água: -“Senhor homem!
Deixa-me sempre pura e cristalina
Para que eu possa alimentar a vida
Sem que o veneno seja a nossa sina”.

E reza a terra: -“Senhor homem!
Dá-me o descanso por uma invernada
Para que eu possa refazer minhas forças
E pra te ser útil em nova temporada.
E todos os seres da natureza,
Unidos, cantem o cântico final.
Homem! Deixa-nos livre,
Sem essa tortura,
Que te daremos vida sem igual”.



sábado, 12 de março de 2011

Lágrimas do Nosso Planeta

O homem não se satisfaz
Com a dádiva da criação
E vai deixando para traz
As marcas da sua ambição

Estas águas que transbordam os rios
Com a força da inundação
São as lágrimas do nosso planeta
Clamando pela salvação

O que foi já não tem mais regresso
E o que vai já não deixa raiz
Apesar de tanto progresso
Ninguém é feliz

O dinheiro destrói a riqueza
Que a mãe natureza nos deu
No reverso da ganância e da avareza
O mundo enlouqueceu

O futuro do mundo é incerto
E a gente não pode prever
Mas quem sabe de um grande deserto
Ele vai renascer

E quem sabe não vai ressurgir
Outro homem com mais sensatez
E que o dinheiro não vá destruir
Todo o bem que Deus fez

Para que o céu possa iluminar
Um novo mundo sem arma e sem guerra
E o bem seja o pleno futuro
Do planeta terra.
                      Raimundo Amaral
                      Em 29/04/2009.



domingo, 6 de fevereiro de 2011

CABOCLA SELVAGEM


 Oh, linda morena!
Cabocla selvagem
Que tem da paisagem
O vago perfume.
Dos bravos guerreiros
És a bem amada
E a onça pintada
De ti tem ciúme.

Oh, linda morena!
Dos seios maduros
Teus olhos escuros
Da cor do açaí,
Buscam na sombra
Da mata fechada
O porco-queixada
Que zela por ti.

Oh, linda morena!
Flor da samambaia
Na cama de palha
Teu corpo adormece
Escutando o canto
Da ave agourenta
Mas não te atormentas
Porque te conhece.

 Oh, linda morena!
Teu corpo bonito
A luz do infinito
Vem iluminar
Enquanto tu dormes
Deitada na areia
O vento e a lua cheia
Te fazem sonhar.

Oh, linda morena!
Deusa da Amazônia
Que a relva risonha
Te louva cantando.
E quando caminhas
No mundo pacato
Os bichos do mato
Vão te acompanhando.

Oh, linda morena!
Cabocla selvagem
Que tens coragem
De brincar no rio.
E enquanto tu brincas
O manso rio desce
E o boto aparece
E fareja o teu cio.

Oh, linda morena!
Dos lábios vermelhos
Que tem como espelho
As águas serenas.
E banha seu corpo
Com o aroma silvestre
E depois se veste
Com chumaços de penas.

Oh, linda morena!
O sol te namora
E ao romper da aurora
Vem te despertar.
E quando cansada
Até os passarinhos
Te oferecem os ninhos
Para repousar.

Oh, linda morena!
Se um dia a idade
Te trouxer saudade
Dos rudes troféus,
E já bem cansada
Da vida na selva
Tupã te reserva
Um cantinho nos céus.